Uma História Real
Hoje em dia é muito comum ver pessoas usando seus smartphones em bares enquanto deveriam estar conversando com quem está ao seu lado, no ambiente de trabalho, enquanto deveriam estar concentradas. E quase ninguém mais consegue fazer uma refeição sem ligar o smartphone em alguma rede social para assistir a um vídeo enquanto come.
O mundo está passando por um vício sutil e extremamente normalizado. As redes sociais trazem algum entretenimento e são muito úteis para o aprendizado. Hoje você pode aprender a fazer um prato sofisticado assistindo a um vídeo no YouTube ou TikTok. Pode aprender vários idiomas, coisa que era bem difícil anos atrás.
"A dose faz o veneno" — Paracelso (Sola dosis facit venenum)
Água em excesso pode matar. Medicamentos em dose alta viram tóxicos. Até vitaminas podem causar problemas em excesso. E as redes sociais são prova viva disso.
Trabalho desenvolvendo software há muitos anos e percebi que estava gastando muito tempo usando redes sociais para ouvir música enquanto trabalhava, o que me levava a assistir a mais vídeos. Como precisava consultar o smartphone regularmente para clientes que atendia em fusos horários diferentes, ficava muito tempo verificando o aplicativo de horários.
Relógio Casio W-800H (~€25) - Dual Time para acompanhar fusos horários
Rádio portátil (~€5) - Música sem redes sociais
Nunca usei relógio na minha vida (tentei uma vez, mas me incomodou), mas percebi que estava usando muito o celular para ver os horários de reuniões e entregas de projetos. Então pesquisei por um relógio que pudesse mostrar dois horários ao mesmo tempo (dual time) e encontrei um Casio W-800H, que me fez reduzir consideravelmente o uso do celular. Paguei cerca de 25 euros.
Também percebi que podia reduzir o uso de redes sociais para ouvir músicas e resolvi comprar um rádio de pilhas que custou por volta de 5 euros.
Depois de um tempo, vi que já não usava mais com tanta frequência o smartphone, somente para coisas úteis como trabalho, aplicativos de banco e WhatsApp para falar com familiares.
No final das contas, consegui reduzir cerca de 60% o uso de redes sociais para entretenimento, mantendo coisas úteis como assistir a um documentário, aprender um prato novo (gosto de cozinhar) e às vezes dar alguma risada ouvindo podcasts.
Após isso, tive a ideia de criar um aplicativo que pudesse ajudar as pessoas a tentarem controlar o vício que causa muitas vezes ansiedade, entre outros problemas psicológicos. Mas um aplicativo que não fosse intrusivo ou que forçasse a pessoa a deixar de fazer algo — pois imagino que, caso fosse assim, a pessoa simplesmente apagaria o aplicativo.